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19.7.10

pai maior



pois é.
o meu querido pai maior, vulgo tempo, sempre presente, me aliviando, ralhando, devorando tudo.

*

estavam bem juntos.
e naquele blackbook algo aconteceu.
ficou olhando como eram os movimentos dele.
e ficou olhando. e olhando.

e viu que eram lindos.
eram firmes e limpos.
não dava pra saber pra onde iam, porque ele parava, e ia pra qualquer lugar.
o desenho ia crescendo, e ela teve a impressão que podia nunca ter fim.

ele fazia a caneta dançar e era tão bonito de ver.

e naquele momento fêz-se a luz. nele.
e ela viu.

17.5.10

alada




Estava num tronco oco.
Verificou que as asas estavam secas.
Esperou a chuva passar.
Foi quando o sol de outono surgiu.
De um amarelo bem claro, doído de tão lindo.

O frio já estava sorrindo, todo vestido de dourado.
Mas ela nem tinha mais medo.

Dourado sempre lhe dava sorte.

*

22.3.10

clown



Foi degradante.

Apelou pra todos os santos.

" Pai mantei-me digna de respeito".

Sim. Pensando no que os outro iam pensar.

Pensando nas leis newtonianas,
no movimento das marés.

Riu.

Riu porque no fim acabava esquecendo.

As cores iam ficando opacas,

não lembrava mais os detalhes
da nuances.


smile from the streets



As músicas eram sempre as mesmas.
Só o sujeito que mudava.
Ou objeto.
Ou sujeito-objeto
Aí elas vinham cada uma a seu tempo.

*

Estava tomada, a luz rosa grudara nela.


19.11.09

andandoprosol




Ela teve que rir.
O tempo vai deixando as coisas opacas.
Coisas que antes pareciam ter tanta importância.
Depois elas vão esfumando, esfumando..

Eita mundão sem dono...

19.8.09

juicer



E o destino insistia em piadas enigmáticas.

( e ela devorada ainda viva.)

12.6.09

a grande piada



O frio se estabelecera.
Tudo ficava meio molhado.
E seu lado sem sol, mais aparente.
Haviam pés quentes e mãos também.
As incertezas mantinham tudo sob controle.
Ao controle do destino, ao controle dos caminhos inexistentes.

*

Cobriu-se e e fechou os olhos.
Pensou se merecia tanto.
Mas o torpor do sono nao lhe permitiu resposta.

11.12.08

caixinha de pandora




Mesmo chovendo uma chuvinha fria, ela riu.
A trilha já tinha mudado.
Era sempre assim.
Sacudia a água dos ombros e cabelos.
E passava batom vermelho.


8.12.08

folhetim




Enquanto isso, algo com cheiro de caribe soava docemente .


4.12.08

Só pros fortes.



Sentiu.
Não sabia de onde. Mas estava próximo.
O vento anunciava
*
Poema sem título

Eu disse, meu bem, que a vida era um poço
E que gritar muito alto era o sentido de ser
A vida é vazia, o Estado é complexo.
Ser é não ser.
Se a gente cai lá embaixo
Rapunzel não solta os cachos
E a gente tem que viver.
Tem que viver arrastado
Ouvindo o barulho do peito
E fingindo que somos calados
Embora a língua se mova
E produza sons que a boca
Desista de por no ar...

A vida é uma grande piada
E Deus só num dá risada
Porque só consegue criar.

A não ser que tudo dependa
Da força de nossas mãos:
Fechar os olhos, cair no poço,
Sem a corda no pescoço
Nem tudo é escuridão.

Rapunzel! Não solte os cachos!
Meu inda bate agitado,
A barriga pede carne, e o caminho,
Sapatos.

Nesse mundo paralítico
Tanto faz ser muito rico.
A fome não é de pão.
Se eu pudesse eu rimaria
O amor com alegria
Comeria poesia
Mais do que arroz com feijão.

Dinha


2.12.08

vazio luminoso





" Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. "

17.11.08

“mas os meus olhos têm segredo. segredo de amor.”




A algum tempo eu pedi.
Pedi com toda a força e cansaço.
Chorei baixo e quente. Duas lágrimas de diamante.
Queria que fossem muitas.
Queria que fossem todas.
Ficar exausta e plena, até a última gota.
Mas foram só duas.
Eu olhei a lua, que era como eu.
E pensei em todos os olhos, nas mãos,
que não se encontraram.

*

O amor.
Um balãozinho bobo colorido.
Eu pedi.

*

A algum tempo eu pedi.
Mas tem que saber pedir.
Aí eu aprendi.
E pedi sabedoria.
Pra que quando ele chegasse,
salgado e sorrindo,
eu reconhecesse.

*

EUPEDIPEDIPEDINAVERDADEEUTEMIA
PORQUEOBALAOSOUEUQUERENDOVOARPRACIMA
OVENTOMELAMBETODAMENVOLVEEMEACARINHA
GOSTODESENTIRACHUVAEDEMEVESTIRDENUVEM
DEDANÇARANOITETODABRINCANDODECOLUMBINA
MERGULHANDODOCEMENTENOSMEUSOLHOSDEABISMO
EUREVELOTUDOTUDOMASSOOQUEUQUISER
NAOTENHOMEDODOESCUROEISSODESDEMENINA
NAAGUAEUMEMISTUROEPOSSOSUMIRPRASEMPRE
FANTASIADADESPUMAMAREMOTOOUCALMARIA
MASSEQUISERMENCONTRARETIVERMERECIMENTO
SEVOCESENTIRSAUDADENOSEUPEITOTAOCANSADO
SEGUEOAROMADASCORESATÉCHEGARNOARCOÍRIS
TRASSUAMAOPRAMINHAPRAGENTEBRINCARDESEMPRE
SEMPRESEMPRESEMPRE
ATEQUANDOAVIDAQUISER.




30.10.08

encaixe



Com mãos sujas de tinta e o coração destrancado
mantínha-se lisa, distante e de natureza aquática.
As chuvas andavam caindo, e ás vezes fazia frio.
Quando lembrava orava, pedia sabedoria..
Pensava em contornos pretos, e cores envelhecidas.
Para painéis gigantes, escadas.
E isso ela ainda não tinha.
*
Preciosa e o vento
(...)
Su luna de pergamino
Preciosa tocando viene.
Al verla se ha levantado
el viento que nunca duerme.
San Cristobalón desnudo,
lleno de lenguas celestes,
mira la niña tocando
una dulce gaita ausente.
Niña, deja que levante
tu vestido para verte.
Abre en mis dedos antiguos
la rosa azul de tu vientre.
*

Preciosa tira el pandero
y corre sin detenerse.
El viento-hombrón la persigue
con una espada caliente.
Frunce su rumor el mar.
Los olivos palidecen.
Cantan las flautas de umbría
y el liso gong de la nieve.
¡Preciosa, corre, Preciosa,
que te coge el viento verde!
¡Preciosa, corre, Preciosa!
¡Míralo por dónde viene!
Sátiro de estrellas bajas
con sus lenguas relucientes.
(...)
Federico Garcia Lorca


14.9.08

enquanto eu dormia




Melhor dormir. A respostas virão.

21.3.08

Alice e o coelho




" - Medo? Ah!... Não dá pra pensar muito.. Sabe, ninguém precisa me empurrar, eu pulo.
As feridas fecham depois.
Aí, faço desenhos maiores que eu. As cores mudam, a trilha sonora também.
Depois fica só o cheiro de terra molhada.
Eu danço, danço..
Meio Fugazi. Meio The Cramps. "

Falava isso ao som do Stereotype Meets Al'Haca, repetindo pela quinta vez a mesma música.
Era engraçado de ver, brincava de jogar e nem sabia. Meio água e ventania. Fluída e cactácea.
Boba, boba..

21.11.07

wu-wei



Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação.
A luz poderosa que fora banida ressurge.
Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente.
Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil.
O velho é descartado, e o novo é introduzido.
Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.

I Ching

*
Depois de algum tempo se reencontraram. Acaso.
Ele descendo a rua, ela subindo.
Abraçaram-se.

Depois de muito tempo, entrou em um buraco que disse nunca mais pisar.
A música estava boa, e ela sentiu vontade de dançar.
Depois de quarenta minutos ele apareceu.
Depois de trinta minutos saíram de mãos dadas.

Estava muito quente.
E ela dormiu com a cabeça no peito dele ao som familiar do ventilador.

18.11.07

A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e manhã te devora




(Fragmentos)


Ele salvou minha vida e nem imagina.
Com oito latinhas de spray.
Meu dedo tá dolorido e minha mente inquieta.
Dormi estriquinada e nem sonhei.

*

Depois de uns dez anos revi alguém por quem nutri sonhos de amor eterno.
Ele chegou perto de mim.
Eu reconheci aqueles olhos verde-claros.

E não senti nada.

*

Hoje me senti meio triste.

Aí, vi que estava de unhas vermelhas.
Respirei fundo e apertei o passo.


9.11.07

* I DON'T LOVE ANYONE




JU, PODÍAMOS BRINCAR DE FUGIR DE NOSSOS MEDOS E FINGIR QUE NÃO TEMOS SEGREDOS, QUEM SABE ASSIM O DIA AMANHECERIA COM UM SOL LILÁS E UM VENTO FRESCO, AREJANDO LEMBRANÇAS INSISTENTES E PENSAMENTOS DE INCERTEZA.

ESTOU TENTANDO ACREDITAR NA REALIDADE ONDE TUDO DEPENDE DA PERSPECTIVA DA NOSSA OBJETIVA.

É DOLORIDO, SER UM ANIMAL SENTIMENTAL E VIVER COM O CORAÇÃO ABERTO. MAS, PROMETO, AINDA VOU ESCREVER SOBRE COISAS BOBAS, COM GOSTO DE BEIJO, PAZ DE MÃOS QUE SE ENCONTRAM E CALOR DE PÉS NUM DIA DE INVERNO.

ENQUANTO ISSO, BRINCO DE CARNAVAL EM QUARTAS-FEIRAS DE CINZA.


8.11.07

eterno efêmero



Começar.
É tão difícil. Começar por onde?
Onde eu começo? Onde eu termino?..
Poderia partir da idéia em que o meu começo é a minha mente.
Tudo teria início nela. Meus anseios, erros e acertos.
Então se eu compreedesse a minha mente, que poderia também chamar de alma, estaria tudo sob controle.
Aceitaria que sou má, egoísta e ao mesmo tempo boa, transbordando de amor.
Eu viveria completa, tranqüila, pois meus fantasmas seriam velhos conhecidos e minhas virtudes, instinto de preservação da espécie.
Saberia que minha existência é tão fugaz que não valeria a pena uma gastrite nervosa, nem unhas roídas, nem a nóia que o dia passa muito rápido, bem mais rápido do que eu posso ver.
Minha alma seria calma, pois eu saberia que, no final, tudo volta ao pó.
Simples.
Pensemos nos Faraós. Deuses terrestres, com histórias inacreditáveis de conquistas, vitórias, amores...
Imortais.
Tão imortais que seus túmulos haveriam de ser magníficos como eles.
No entanto, somente fragmentos do que foram restou. Relíquias arqueológicas, gigantescos monumentos carcomidos e maltratados pela ação do tempo.

O tempo.

O mais democrático dos deuses.
Diverte-se diante da pequenês humana. Da sua pretensa corrida por um lugar ao sol.
Falando em sol são 8:00h da manhã e ele se mostra todo.
Generoso, viríl.
E a natureza sente-se aliviada por, mais uma vez, Hórus ter vencido Seth.

É..
Acho que só me resta, dizer mais vezes “eu te amo” , vivendo um dia de cada vez, venerando o sol que aquece, a lua que acalma e rindo das minhas próprias desgraças, pois, no final, é só isso que fica.

A alma cheia e o corpo vazio.