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11.4.12

infinito














Enquanto isso ela continuava seu caminho.
Peso nas costas, peito quente.
O infinito era logo ali.

29.8.11

vapor de chuva


































Uma garoa morna começou a cair.
Eles de olhos fechados. Mãos juntas. As bocas já sabiam o caminho.
E enquanto isso chovia.
Molhados de chuva e de olhos fechados.
No caminho certo.


16.7.11

segredo


















Ele olhou pra ela, seu rosto de andróide, tão bonita.
Pensou se já havia amado um outro homem.
Aquele corpo quente. Programado.
Aí ele fez um buraco nela, no tronco, no seu corpo de árvore.
E lá ele susurrou um segredo. Lá dentro.
Depois pegou um tanto de barro e tapou o buraco.
Assim se guardam os segredos.
.

8.10.10

rivotril in natura


















Ele insistia em dizer sobre eros
pelos olhos, pelo corpo todo.
Era o que ela via, como que olhando no espelho.
E ele, espelho, ia ricocheteando nela.

19.7.10

pai maior



pois é.
o meu querido pai maior, vulgo tempo, sempre presente, me aliviando, ralhando, devorando tudo.

*

estavam bem juntos.
e naquele blackbook algo aconteceu.
ficou olhando como eram os movimentos dele.
e ficou olhando. e olhando.

e viu que eram lindos.
eram firmes e limpos.
não dava pra saber pra onde iam, porque ele parava, e ia pra qualquer lugar.
o desenho ia crescendo, e ela teve a impressão que podia nunca ter fim.

ele fazia a caneta dançar e era tão bonito de ver.

e naquele momento fêz-se a luz. nele.
e ela viu.

8.5.10

a esfinge e o minotauro


x
x
x
"..então é assim que você gosta?..."
x
x
x

22.3.10

cor de sol




Cores básicas do perfil psicológico:

Branco, preto, azul bb, e pitadas de vermelho alaranjado.

Tudo jogado num amarelo mal misturado.



Lume



Do céu choviam estrelas.

No peito algo pairava.

Uma montanha de pedras

um céu estrelado

rodas de bicicletas

sorrisos.

Cinzas de neon explodiram no seu rosto.

Ela não limpou. Luminesceu.



14.4.09

" porque eu?"



Porque você é meu chão de grama verdinha.
Um medinho de céu estrelado.
Um trampolim bem alto.
Uma aguinha transparente.

(uma dor boa no peito).

9.4.09

amor



Expresso para o amor.
Última parada na linha Esmeralda.

10.3.09

roteiro inverossímil



Era tudo como um sonho.
Um roteiro inverossímil.
Um Taj Mahal no Graja, era o que ele prometia.
Um mundo de beijos e cores era todo o dote dela.
Nos desenhos do caderno, surgiam laços de fita e na paleta imáginária as cores já eram outras.
A janela não tinha vidros e nem a porta maçaneta, e mesmo com o outono perto, não temia mais o frio.
As águas varriam tudo, levando pra muito longe pensamentos insistentes e lembranças de incertezas.
E quando fechava os olhos, em qualquer hora que fosse, sentia uma voz macia rasgando a medula dela.

16.1.09

o quanto antes do antes



Momento premonitório.
De fundo um samba bonito, triste também.
Foi quando o "eu quero" soou.
E junto, algo sobre realejo, destino, sorte..

*
vitaminamista
chuverosemresistencia
maosolhosbraçosdados
....
temporal bom..

12.1.09

piquenique imaginário




sem muita complicação
soprando umventinhomorno
dissipando a serração
coisa de nuvem quentinha
de nuvem coloridinha
acostumada com o mundão.

*

Numa curva sinuosa, mergulharam muito juntos.
De mãosolhosbraços dados.
E foi tudo muito rápido. E de muito alto. E muito fundo.
E mesmo de muito longe, dando a volta ao mundo, não sabia o que seria, mas sabia que era ali.
(Isso da parte dele.)
Teve um pouco de vergonha, nuvem de arco-íris, mas sabia que algo estava pracontecer.
(Isso da parte dela.)
Não sabiam muita coisa, na verdade quase nada.
Só realismo-fantástico para poder explicar.
Ela não tinha medo de escuro. E ele não precisava ter.
De mãosolhosbraços dados ficava tudo mais fácil.
Depois de um jardim de orquídeas, e olhares e carícias,
a queda era iminente, acidamente sabida, jogo que não se joga,
salto no infinito, piquenique imaginário,

" namora comigo?"


5.12.08

vento quente




" easrosaseramtodasamarelas "

1.12.08

Neon Rosa (ou: Ain't Nobody )



E tinha vento, e chuva, e um sol pink até onde a vista alcançava.
Tinham também muitas mãos se encontrando, e olhos de diamante e abraços sem fim.
E mesmo durante a noite escura ela caminhava, porque nunca esteve só.
Mergulhava até o fundo mais fundo e sombrio, porque lá também era sua casa.
Sem medo.
E no peito um neon rosa.
Infinito.

13.10.08

♥



" Tantas vezes me mataram. Tantas vezes eu morri, e todavia estou aqui, ressucitada."
*
Prabhujee dayaa karo
Maname aana baso.
Tuma bina laage soonaa
Khaali ghatame prema bharo.
Tantra mantra poojaa nahi jaanu
Mai to kevala tumako hi maanu.
Sare jaga me dhundaa tumako
Aba to aakara baahan dharo

6.10.08

veneno doce



" Naquele dia as nuvens choveram pra cima. Era como um reencontro."
No peito algo foi crescendo, crescendo. Até doeu um pouco.
E se explodisse?
Voariam pedaços coloridos de nuvens com chuva inundando tudo.

26.2.08

Maçã (ou: o dia em que a terra parou )



A noite já estava no fim e ela cansada.
Cansada de tão cansada.
Procurar, procurar, achar que havia encontrado..
Não queria mais brincar disso.

*

Em algum momento da noite ( não saberia dizer qual), ela viu.
Pensou que não, mas era inegável. Insistiu que era só cansaço, já era tarde e ela estava ali a tanto tempo..

Olhou denovo. E denovo. E denovo.

E a cada vez que olhava, lhe parecia mais..... óbvio.
Era um corpo. E esteva lá o tempo todo sem que ela o notasse.
Como poderia? Logo ela, que aprendera a tanto tempo a arte de notar.
Pois é. Desabituara-se ao jogo. Na verdade, nem queria mais jogar.
Ficou lá um tempo e percebeu que também fora vista.
Ela de um lado. Ele do outro.
No peito repiqueavam irresistíveis candombes.
Será que ele estaria ouvindo?
Sim. Pois a olhou novamente.
Ele veio vindo, veio vindo, passou por ela e segurou-a em seu olhar, ou talvez ela o tenha segurado.
Um calor foi subindo desde a espinha dorsal, nuca, até as orelhas.
No momento seguinte pontas de algo se tocaram, mas ninguém viu.
Só eles. E um nó foi feito.

Ele já estava enlaçado nos seus olhos escuros.
Ela já estava em queda-livre nos seus olhos claros.


21.11.07

wu-wei



Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação.
A luz poderosa que fora banida ressurge.
Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente.
Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil.
O velho é descartado, e o novo é introduzido.
Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.

I Ching

*
Depois de algum tempo se reencontraram. Acaso.
Ele descendo a rua, ela subindo.
Abraçaram-se.

Depois de muito tempo, entrou em um buraco que disse nunca mais pisar.
A música estava boa, e ela sentiu vontade de dançar.
Depois de quarenta minutos ele apareceu.
Depois de trinta minutos saíram de mãos dadas.

Estava muito quente.
E ela dormiu com a cabeça no peito dele ao som familiar do ventilador.

18.11.07

sente?



A queda continuava.
Teve a impressão de sentir um ventinho morno no rosto.

O sol já estava nascendo.
O chão se aproximava. Fechou os olhos e conseguiu sorrir.

*

Ele a chamou pra si. Algo como jazz contaminava tudo. Ficou meio tímida por não poder fechar os olhos: o quarto virava um carrossel desgovernado. Errinho crasso, beber depois fumar. Sim, a ordem dos fatores alterava o produto. ..

Ainda bem que a noite só havia começado.