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13.9.11

pezinhos de pelúcia

                        




















Ela já não estava mais ali.
Ela não era aquele corpinho quebrado. Imóvel.
Ela era rápida que nem o vento, cheia de amor, valente.
Qualquer coisa que eu disser vai ser tão pequeno, não pequena que nem você, porque você era gigante.
Mas com certeza, quem te recebeu foi o Xupeto, com um monte de lambidas,  um pouco cansado, cheio de saudades.
Obrigada minha querida, por ter sido minha amiga, com meus tantos defeitos.
E agora, eu fico aqui, pensando em tudo o que eu não fiz.
Nas promessas que eu não cumpri.
No tempo que eu fiquei longe de você buscando um pai
que você nem precisava.

4.11.09

delírios in the city (ou: Co2 puronamente)



Buscando cores no cinza ia andando lentamente.
Já era noite alta, com calor que cheirava a chuva.
E apesar de distraída e atenta ao mesmo tempo
sentiu uma opressão que vinha
de um muro logo ao seu lado.

Era uma antiga construção branca
indo até onde a vista alcançava.
Uma espécie de portal,
ou melhor, fortaleza,
a divisória concreta entre a vida e a morte.

Não deteve seu passo, mas não parava de olhar
algo vindo lá de dentro queria fazer-se ver.
Seus olhos procuravam mas não sabiam o que
entre as casinhas de pedra
sem janelas e sem sol.

Foi quando sobre a muralha
elas foram aparecendo
andando de lá pra cá
impondo distância e respeito
pelo puro asco e medo

Guardiãs da necrópole,
um exército infinito
atentas a tudo e a todos,
donas de todos os mapas
mantendo a ordem vigente.

Olharam para a intrusa que queria ver demais.
Não disseram nada , mas isso nem precisava.
Ela entendera a mensagem, havia ficado bem claro.
A cidade dos mortos, sem Cérbero nem Anúbis,
era somente delas, baratas de cemitério.

18.12.08

E.T.




Era óbvio e brutal.
Doído de tão simples.
Maquiado de ofertas e apelos de felicidade.
Vou contar mais ou menos.
Pois já faz um tempo, e talvez minha lembrança já esteja anuviada de esquecimento.
Poderia ser um momento bobo, mas pragente não.
Falo em “agente” pois não sou um ser só. E carrego o fardo de amar e a alegria de sofrer junto com os que são meus pelo sangue.
E lá estávamos, entre corredores de secos e molhados, e suas misturas de cheiros.
Aquecidos pela certeza do alimento do corpo.
E foi aí. Num momento igual a tantos outros.
Simplesmente uma lucidez óbvia.
Olhei as pilhas gigantes de arroz, enlatados, mares de legumes, frutas..
Tudo ali. Era só esticar as mãos e pegá-los.
Levar para o seu refúgio. Como nos tempos antigos, ainda hominídios.
Mas tinha uma diferença. Estava tudo ali. Tudo.
Pra muita gente, todas as famílias. Pra muitas barrigas.
Mas não poderiam sair de lá.
Tudo o que estava lá não podia sair.
Só se fosse trocado por dinheiro.
Então se não houvesse dinheiro, nada saia de lá.
Nada.
Numa terra onde quase niguém tem dinheiro.
Onde nada se divide.
Se troca.
Mas a troca só acontece através do dinheiro.
Aí eu também descobri que o dinheiro não existe!
Não passa de uma invenção. Que acontece através de papéis assinados e carimbados com símbolos inventados. Aí depois de inventados, são pintados num papel que vão parar nos bancos.
E não me venham falar que dinheiro se troca por trabalho!
Seria cinismo demais.
Olhei ao redor.
Era um templo. De fartura.
E nele, o valor de cada um era medido pelo seu valor no mercado.
Sem valor, sem comida.
Tudo isso era demais óbvio!! Era uma lógica inventada, que parecia natural. Mas não era!!!
E me senti um E.T.
Sai me sentindo um E.T.
E acho que vou me sentir um E.T. prasempre.
 
 
 

30.10.08

encaixe



Com mãos sujas de tinta e o coração destrancado
mantínha-se lisa, distante e de natureza aquática.
As chuvas andavam caindo, e ás vezes fazia frio.
Quando lembrava orava, pedia sabedoria..
Pensava em contornos pretos, e cores envelhecidas.
Para painéis gigantes, escadas.
E isso ela ainda não tinha.
*
Preciosa e o vento
(...)
Su luna de pergamino
Preciosa tocando viene.
Al verla se ha levantado
el viento que nunca duerme.
San Cristobalón desnudo,
lleno de lenguas celestes,
mira la niña tocando
una dulce gaita ausente.
Niña, deja que levante
tu vestido para verte.
Abre en mis dedos antiguos
la rosa azul de tu vientre.
*

Preciosa tira el pandero
y corre sin detenerse.
El viento-hombrón la persigue
con una espada caliente.
Frunce su rumor el mar.
Los olivos palidecen.
Cantan las flautas de umbría
y el liso gong de la nieve.
¡Preciosa, corre, Preciosa,
que te coge el viento verde!
¡Preciosa, corre, Preciosa!
¡Míralo por dónde viene!
Sátiro de estrellas bajas
con sus lenguas relucientes.
(...)
Federico Garcia Lorca


18.11.07

A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e manhã te devora




(Fragmentos)


Ele salvou minha vida e nem imagina.
Com oito latinhas de spray.
Meu dedo tá dolorido e minha mente inquieta.
Dormi estriquinada e nem sonhei.

*

Depois de uns dez anos revi alguém por quem nutri sonhos de amor eterno.
Ele chegou perto de mim.
Eu reconheci aqueles olhos verde-claros.

E não senti nada.

*

Hoje me senti meio triste.

Aí, vi que estava de unhas vermelhas.
Respirei fundo e apertei o passo.


11.11.07

frente fria



AS VEZES EUMESINTO MEIOTRISTEESOZINHAAIPEGOALGOQUEPOSSASERRABISCADO USOQUALQUERCOISA TIJOLO GIZDELOUSA TENHOPROBLEMASCOMGRAMATICA MASOQUEEUGOSTOMESMO EDENAMORAR ESSASCOISASIDIOTA SE Q U A N D O E S C R E V O MA NT EN HOAMENTEOCUPADAPOISNAOQUEROOUVIRMEUSPENSAMENTOS
TENHOOUVIDOMUSICABEMALTO
BEM ALTO MESMO.